SÃO PAULO — O Ministério Público de São Paulo abriu uma notícia de fato para analisar uma possível ligação entre o Banco Master e os processos de privatização da Sabesp e da Emae durante a gestão de Tarcísio Gomes de Freitas. A apuração inicial foi instaurada pela Promotoria do Patrimônio Público e Social.
A promotora Cíntia Marangoni solicitou informações à Sabesp, à Emae, ao Tribunal de Contas do Estado e ao governo paulista. O prazo para resposta é de 45 dias. Depois, ela decidirá se existem elementos para abrir um inquérito civil.
O procedimento nasceu de uma representação do deputado Antônio Donato (PT-SP), líder do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O parlamentar aponta uma possível conexão entre operações envolvendo Daniel Vorcaro, Nelson Tanure, Carlos Piani e os processos de desestatização das empresas paulistas.
No despacho, a Promotoria informa que vai verificar, entre outros pontos, eventual lesão ao patrimônio público, conflito de interesses, favorecimento de particulares, prejuízo à concorrência e possíveis irregularidades administrativas na privatização da Emae, na desestatização da Sabesp e na posterior compra do controle da Emae pela Sabesp.
Pontos apresentados na representação
A Emae foi leiloada na Bovespa em 19 de abril de 2024. O Fundo Phoenix venceu a disputa pelas ações do Estado por aproximadamente R$ 1,04 bilhão. De acordo com a representação, o fundo havia sido constituído em 20/03/2024 e tinha ações da Ambipar como principal lastro.
Donato também cita uma estrutura financeira que teria envolvido o Banco Master, Nelson Tanure, a Ambipar, a REAG e a Trustee DTVM. O documento menciona ainda um parecer técnico da Comissão de Valores Mobiliários sobre a forma de pagamento da aquisição do controle da Emae.
A representação afirma que Karla Maciel Dolabella, ex-integrante da área de fusões e aquisições do Banco Master, assumiu a presidência da Emae após a privatização. Ela deixou os cargos de CEO e diretora de Pessoas e Sustentabilidade em dezembro de 2025, alegando razões pessoais.
O deputado relaciona ainda a privatização da Sabesp à atuação de Carlos Piani, que presidiu o conselho da Ambipar e assumiu a presidência da Sabesp em outubro de 2024. A representação também menciona a aquisição da Emae pela Sabesp após a transferência de controle para a XP Investimentos.
Donato afirma que houve uma doação de R$ 2 milhões de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, para a campanha de Tarcísio de Freitas. Segundo o deputado, Zettel também doou R$ 3 milhões para Jair Bolsonaro em 2022.
Resposta da Sabesp
A Sabesp informou que o procedimento é preliminar e decorre de uma representação parlamentar. A companhia afirmou que fornecerá os esclarecimentos pedidos pelo Ministério Público.
A empresa disse que a desestatização foi autorizada pelo Legislativo estadual, passou por consultas e audiências públicas e foi registrada na CVM, com documentação apresentada à SEC, nos Estados Unidos. A Sabesp também declarou que a aquisição da Emae foi aprovada pelos órgãos competentes.
A companhia negou fundamento para associá-la ou relacionar seus administradores aos fatos investigados envolvendo o Banco Master e afirmou que entregará às autoridades as informações necessárias para esclarecer o caso.








