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Entenda ponto a ponto a relação entre a privatização da Sabesp pelo governo Tarcísio e o Banco Master
Política

Privatizações da Sabesp e da Emae são alvo de questionamentos sobre Banco Master

Doações, fundos, executivos e operações financeiras conectam apurações sobre o Banco Master às desestatizações em São Paulo.

As privatizações da Sabesp e da Emae, realizadas em 2024, passaram a ser questionadas por possíveis conexões com Nelson Tanure, apontado nas apurações da Polícia Federal como sócio oculto do Banco Master. O governador Tarcísio de Freitas também recebeu R$ 2 milhões de doação eleitoral de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do banco, nas eleições de 2022.

Tanure é investigado pelo Banco Central, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Ele aparece como beneficiário final do Fundo Phoenix, administrado pela Trustee DTVM, distribuidora ligada ao Banco Master.

Emae e Fundo Phoenix

Em abril de 2024, o Fundo Phoenix venceu o leilão da Emae por R$ 1,04 bilhão. A garantia usada na operação eram ações da Ambipar, que tiveram valorização de mais de 700% entre abril e outubro de 2024. A equipe técnica da Comissão de Valores Mobiliários suspeitou que fundos ligados ao Banco Master e a Tanure agiram para inflar artificialmente o valor da companhia.

O fundo pagou pela Emae com recursos obtidos por meio de debêntures e de um empréstimo da XP. Depois, o caixa da empresa adquirida foi usado para comprar debêntures da Light e aplicar em CDBs do Banco Master.

Em janeiro de 2025, quando Tanure presidia o Conselho de Administração da Emae, a empresa comprou R$ 160 milhões em CDBs do Letsbank, também ligado ao conglomerado do Banco Master. Em outubro de 2025, Tanure não pagou o empréstimo contraído com a XP Investimentos. O banco executou a dívida e assumiu o controle da Emae.

Mais tarde, a Sabesp, sob a presidência de Carlos Piani, comprou a Emae do Fundo Phoenix. A CVM não informou o desfecho nem os encaminhamentos da investigação.

Disputa pela Sabesp

Em junho de 2024, Tanure e integrantes do Banco Master procuraram o BNDES para articular um empréstimo destinado à compra da Sabesp. Participaram das reuniões Reinaldo Hossepian, diretor do Banco Master, e Karla Maciel, então assessora da área de fusões e aquisições da instituição.

Em julho de 2024, a Equatorial Energia assumiu 15% das ações majoritárias da Sabesp, como única concorrente no processo de desestatização. Naquele período, Carlos Piani presidia o conselho da Equatorial. O processo captou aproximadamente R$ 15 bilhões, com a venda de 15% das ações por R$ 6,9 bilhões.

A baixa concorrência e o valor da operação foram questionados. Em 13 de fevereiro de 2026, as ações da Sabesp chegaram a R$ 152,50, alta de aproximadamente 127% em relação ao preço da desestatização.

Karla Bertocco também foi alvo de questionamentos. Ela presidiu o Conselho de Administração da Sabesp e depois integrou o conselho da Equatorial. A executiva foi subsecretária de Parcerias e Inovação do Governo de São Paulo entre 2015 e 2018, presidiu a Sabesp até 2018 e foi diretora do BNDES até 2019.

Em julho de 2024, a federação PT-PCdoB-PV na Assembleia Legislativa de São Paulo enviou representação ao Ministério Público de São Paulo para pedir a apuração de possível conflito de interesses e dano ao interesse público. O pedido foi assinado pelo deputado estadual Paulo Fiorilo.

Investigações e respostas

Em março deste ano, o deputado estadual Antonio Donato apresentou representação ao Ministério Público de São Paulo. O documento questiona a fiscalização do leilão da Emae, a falta de concorrência na venda da Sabesp, o preço das ações e a recompra da Emae pela Sabesp. O pedido ainda está em análise e não teve andamento informado.

No início de abril deste ano, o Supremo Tribunal Federal rejeitou duas ações que pediam a suspensão da privatização da Sabesp: as ADPFs 1180 e 1182.

A Sabesp afirmou que a compra da Emae foi aprovada pelo Conselho de Administração e analisada pelo Cade e pela Aneel. A empresa negou qualquer relação de Carlos Piani com o Fundo Phoenix e disse que não houve conflito de interesse envolvendo Karla Bertocco.

A Emae informou que, em 3 de dezembro de 2025, o juiz Fausto Dalmaschio Ferreira julgou improcedente uma ação popular que questionava a venda de ações para a Equatorial.

A Secretaria de Parcerias em Investimentos declarou que os processos seguiram critérios técnicos, transparência e as etapas previstas no PPI-SP. Segundo a pasta, o leilão da Emae teve proposta vencedora 33,68% acima do preço mínimo do edital e passou pela análise da Aneel e do Cade.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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