Bill Gates afirmou que nenhum governo está preparado para as mudanças que a inteligência artificial deve provocar na sociedade. O cofundador da Microsoft alertou para possíveis impactos sobre empregos, ataques e a dependência de assistentes virtuais.
“Não acho que nenhum governo esteja tão aprofundado nisso quanto deveria”, disse Gates. Ele afirmou que tem conversado com líderes mundiais sobre o tema, entre eles o presidente Donald Trump e sua equipe nos Estados Unidos. Também pretende se encontrar com o presidente chinês Xi Jinping ainda este ano.
Apesar das preocupações, Gates avalia que a tecnologia pode ajudar a reduzir a desigualdade entre ricos e pobres, desde que seja administrada de forma adequada e tenha acesso igualitário. Na terça-feira, a fundação que leva seu nome anunciou que planeja investir pelo menos US$ 1 bilhão nos próximos dois anos para ampliar o acesso à IA.
O dinheiro será destinado a parceiros que trabalham com educação, saúde e agricultura. A iniciativa também pretende apoiar a criação de bases de dados e garantir que grandes modelos de linguagem funcionem nos idiomas falados pelas pessoas. O investimento faz parte de planos anunciados anteriormente pela fundação, que preveem aplicar US$ 9 bilhões anualmente.
Aplicações na saúde
Gates afirmou que a inteligência artificial tem potencial para apoiar profissionais de saúde na linha de frente e contribuir para a descoberta de medicamentos e vacinas. Para ele, os governos precisam trabalhar em conjunto para evitar problemas provocados pela tecnologia.
“Os governos estão muito atrasados neste assunto”, disse Gates. Ele comparou o avanço da IA a filmes de desastre em que países rivais se unem para enfrentar uma ameaça comum.
Relação com Jeffrey Epstein
Em junho, Gates depôs no Congresso sobre sua relação com Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. Gates não é acusado de nenhum crime e afirmou várias vezes que se arrepende da associação. Segundo ele, esperava que Epstein fizesse doações para causas de saúde global, mas o financista tentou chantageá-lo por causa de casos extraconjugais.
Uma revisão externa na fundação não encontrou pagamentos a Epstein nem participação em atividades criminosas. Gates disse que a relação não teve impacto significativo sobre sua reputação ou a da fundação e afirmou que continua interessado em reduzir mortes infantis e acabar com a malária.








