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Custo de vida reposiciona ala progressista nas disputas democratas dos EUA
Foto: 08/11/2022 REUTERS/Cheney Orr
Economia

Custo de vida reposiciona ala progressista nas disputas democratas dos EUA

Candidatos de esquerda venceram primárias em diferentes estados, mas ainda enfrentam dúvidas sobre o desempenho nas eleições de novembro.

A disputa pelo controle do Congresso dos Estados Unidos ganhou novos nomes ligados à esquerda do Partido Democrata. As campanhas destacam o custo de vida, a inflação e propostas de bem-estar social, em uma tentativa de atrair eleitores insatisfeitos com a situação econômica.

O resultado das primárias, porém, ainda não permite prever o desempenho desses candidatos em novembro, quando ocorrerão as eleições de meio de mandato. As votações vão definir o controle do Congresso, e as disputas mais competitivas são vistas como um teste para a estratégia progressista.

Vitórias em diferentes estados

Em Massachusetts, o senador Ed Markey, de 80 anos, derrotou o deputado Seth Moulton, de 47 anos. Markey está no Congresso há quase 50 anos.

No Michigan, Abdul El-Sayed venceu a disputa contra o establishment democrata. Ele pretende se tornar o primeiro muçulmano no Senado dos Estados Unidos. Sua campanha usou o slogan “Dinheiro no seu bolso, Medicare para todos”, em referência ao programa de seguros de saúde do governo americano. El-Sayed também defende a taxação de grandes fortunas, mas rejeita a definição de socialista.

Na Flórida, a deputada Angie Nixon será candidata ao Senado. Ela faz parte do movimento Socialistas Democráticos da América, conhecido como DSA, uma organização política independente.

Outros candidatos progressistas considerados outsiders também venceram primárias. Bob Brooks, bombeiro aposentado e líder sindical, disputará uma vaga na Câmara por um distrito da Pensilvânia considerado decisivo. Em Ohio, o operário metalúrgico Brian Poindexter tenta ser eleito deputado. Em Montana, Sam Forstag, paraquedista de combate a incêndios, venceu a disputa pela indicação.

Inflação e mudança de discurso

Para Lucas de Souza Martins, especialista em História dos EUA e professor da Universidade Temple, o cenário econômico abre espaço para novos líderes democratas associados à inclusão e ao bem-estar social.

A guerra contra o Irã elevou os preços dos combustíveis e aumentou a pressão inflacionária nos Estados Unidos. O movimento contribuiu para a piora na imagem de Donald Trump antes da eleição. A aprovação do presidente está em 33%, o pior índice de sua carreira política, segundo pesquisa Reuters/Ipsos.

Nesse ambiente, propostas de proteção social ganharam força. Zohran Mamdani, socialista apontado como um dos precursores dessa renovação democrata, chegou à Prefeitura de Nova York no ano passado defendendo o congelamento de aluguéis e a taxação dos mais ricos.

“Figuras como Mamdani respondem a uma pressão popular muito presente entre os mais jovens pelo bem estar social”, afirma Martins. Para ele, as novas gerações já não veem o chamado sonho americano como uma garantia.

A economia também passou a ocupar espaço maior que as pautas identitárias, chamadas de “woke” ou “woke 1”, que marcaram o Partido Democrata em anos anteriores. Alexandria Ocasio-Cortez, deputada de Nova York, afirmou que “O Woke 1 era louco”. James Talarico, candidato ao Senado pelo Texas, também se afastou de declarações anteriores que classificou como constrangedoras, entre elas a afirmação de que “Deus é não-binário”.

Carlos Gustavo Poggio, professor de Ciência Política do Berea College, avalia que as dificuldades materiais dos eleitores reduziram o espaço desses temas no debate. A mudança de prioridade, segundo ele, pode explicar o melhor desempenho da esquerda nas primárias.

Teste nas eleições gerais

O avanço, até agora, está restrito às primárias democratas. Poggio afirma que a eleição geral será decisiva para medir a capacidade desses candidatos de conquistar o eleitorado em regiões competitivas.

No Michigan, por exemplo, a escolha de El-Sayed teria tornado a disputa pelo Senado mais equilibrada do que seria com uma candidata apoiada pela elite do partido e considerada mais moderada. Para o professor, o resultado mostra que candidatos progressistas podem enfrentar mais dificuldades nas eleições gerais em locais disputados.

As eleições de meio de mandato, portanto, deverão indicar a viabilidade desse perfil de candidato fora das primárias.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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