O Federal Reserve (Fed) deve elevar os juros dos Estados Unidos nesta quarta-feira, 16, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Como o aumento de 0,25 ponto percentual já é amplamente esperado, o impacto nos mercados dependerá principalmente das novas projeções econômicas e da mensagem do presidente da instituição, Kevin Warsh.
Na véspera da decisão, 15, a ferramenta FedWatch, da CME, indicava 94,5% de probabilidade de alta de 0,25 ponto percentual e 5,5% de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75% ao ano.
A expectativa é que a inflação e os próximos passos da política monetária concentrem as atenções. Dados de agosto e a alta do petróleo aumentaram a preocupação com os preços. No simpósio de Jackson Hole, no fim de agosto, Warsh afirmou que o núcleo da inflação precisa avançar de forma clara e suficientemente rápida para a meta de 2%.
“as atenções estarão principalmente voltadas para o comunicado, para as projeções econômicas do colegiado do FOMC e na entrevista pós reunião do presidente Kevin Warsh”, afirmou Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset.
Inflação e comunicação do Fed
Especialistas avaliam que a autoridade monetária pode deixar aberta a possibilidade de novas altas, mas sem indicar imediatamente um ciclo prolongado de aperto. As projeções devem continuar refletindo maior pressão sobre a inflação. A estimativa divulgada em junho apontava expansão de 2,2% da economia americana.
Warsh também sinalizou que pretende abandonar o chamado “dot plot”, mecanismo usado pelo Fed para apresentar as expectativas dos dirigentes para os juros. Com a possível retirada dessa referência, os investidores devem dar mais peso às declarações do presidente e às projeções do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC).
O mercado de títulos também está no foco. O rendimento dos Treasuries de 10 anos superou 5% em setembro de 2026, atingindo o maior nível desde 2007. Uma sinalização mais dura de Warsh pode elevar os juros americanos, fortalecer o dólar e reduzir o apetite por mercados emergentes.
“Em relação ao real, se as expectativas se confirmarem e a Selic cair 25 pontos-base enquanto o Fed Funds subir 25 pontos-base, o diferencial de juros pode, sim, jogar contra o real”, afirmou Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue.
No Brasil, o câmbio também pode ser influenciado pela eleição presidencial de outubro, pelo cenário político em Brasília e pelos desdobramentos das investigações do caso Banco Master. Em um cenário de Fed mais duro, dólar fortalecido no exterior e continuidade dos cortes de juros no Brasil, Alexandre Viotto, da EQI Investimentos, avaliou que a moeda americana pode superar R$ 5,25 e R$ 5,30 nas próximas sessões.








