O índice de inflação dos Estados Unidos que será divulgado na sexta-feira (11) pode influenciar a decisão do Federal Reserve sobre os juros em 16 de setembro e aumentar a pressão sobre mercados emergentes, incluindo o Brasil.
A BLS (Secretária de Estatísticas do Trabalho dos EUA) divulgará o CPI (Índice de Preços ao Consumidor) de agosto. O indicador será publicado após o PCE (Despesas de Consumo Pessoal), principal medida acompanhada pelo Fed, acumular alta de 3,7% nos 12 meses até julho.
Uma alta acima do esperado pode fortalecer a avaliação de que os juros americanos precisam continuar elevados. William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, afirmou que o CPI é o indicador de inflação mais conhecido e acompanhado pelo mercado dos Estados Unidos.
Na semana anterior, o payroll mostrou a abertura de 162 mil vagas de emprego em agosto, acima da previsão de 55 mil novos postos. O resultado reforçou a percepção de que uma inflação mais forte pode vir acompanhada de juros mais altos.
O Bank of America avaliou que os dados de inflação podem ser decisivos para uma alta da taxa em setembro. O banco também afirmou esperar indicadores acima dos níveis compatíveis com a meta de 2% do Fed.
Sinais do Federal Reserve
O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, disse que o banco central ainda terá trabalho a fazer caso os formuladores de política monetária não estejam confiantes de que a inflação subjacente está retornando à meta de 2%. Os comentários foram interpretados como uma sinalização mais dura da política monetária.
A ferramenta FedWatch, do CME Group, indica que 60,4% do mercado aposta em uma alta de 0,25 ponto percentual, levando os juros para a faixa de 3,75% a 4%. Outros 39,6% projetam manutenção entre 3,5% e 3,75%.
No começo de agosto, 55,6% esperavam a manutenção dos juros, enquanto 44,4% apostavam em alta.
Reflexos para o Brasil
A pressão sobre a curva de juros dos Estados Unidos pode afetar o Brasil. Os rendimentos dos títulos americanos, considerados investimentos de menor risco, ficam mais atrativos e podem reduzir o fluxo de recursos para economias emergentes.
Em relatório mensal de setembro, a XP afirmou que as economias emergentes podem sofrer impactos adicionais com a alta dos juros americanos. Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, também apontou reflexos da curva de juros externa sobre o Brasil.
Em setembro de 2024, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em 10 anos, 30 anos e um ano eram negociados a 3,84%, 4,13% e 4,35%, respectivamente. Em setembro de 2025, os papéis estavam em 4,28%, 4,97% e 3,82%.
Hoje, as taxas são de 4,78% para o título de 10 anos, 5,24% para o de 30 anos e 4,13% para o de um ano. A curva de juros influencia o dólar e os mercados, segundo William Castro Alves.









