A abertura do mercado livre de energia elétrica para pequenos comércios e residências deve otimizar o setor e reduzir custos para quem escolher outro fornecedor, na avaliação de André Millions Coutinho, diretor da Thymos Capital.
O processo está previsto para ocorrer em duas etapas, até o fim de 2028. O cronograma estabelece a liberação para consumidores industriais e comerciais em novembro de 2027 e para residenciais em novembro de 2028.
Millions considera o calendário factível, mas aponta a necessidade de regulamentação complementar, adaptação das empresas envolvidas e divulgação clara das informações para a população. Empresas do segmento, comercializadoras e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica deverão simplificar o tema para que o consumidor saiba como fazer a migração.
Informação e tecnologia
Para o diretor, tecnologia e inovação serão fundamentais na abertura. Ele também recomenda que as empresas interessadas observem a experiência do setor de telefonia móvel e avaliem parcerias entre companhias de energia e agentes de varejo, com potencial de ganho de escala.
Millions minimiza o impacto da crise enfrentada por várias comercializadoras, que têm registrado casos de recuperação judicial ou extrajudicial. Segundo ele, a fragilidade econômica retraiu a comercialização, mas nem todas as empresas deverão atuar no varejo. A ampliação das informações, afirma, pode aumentar a segurança dos consumidores.
O diretor disse que o avanço do letramento da população e dos clientes que ainda não puderam migrar tende a tornar a transição mais segura. Para ele, esse processo pode reduzir dúvidas e ajudar na escolha do agente responsável pelo fornecimento de energia.
Redução na conta
Millions reforça que a migração deverá reduzir o custo de energia para os consumidores que optarem pelo mercado livre. Ele ressalva, porém, que a estimativa divulgada anteriormente pelo governo, de 20% a 22% de redução, considera apenas o valor da energia.
A tarifa de fio continuará sendo cobrada, porque parte dos componentes da conta de energia não sofre interferência da abertura do mercado. O diretor também afirmou que os preços previstos para os próximos anos estão elevados, mas devem passar por acomodação.
A abertura poderá levar empresas de mini e micro geração distribuída a rever seus modelos de negócio, diante da competição com o mercado livre e do fim do período de transição para os subsídios que ajudaram a expansão do segmento.
Na entrevista, o diretor da Thymos também abordou os cortes crescentes na geração de energia. Segundo ele, o problema tem prejudicado investidores, encarecido a energia e afetado o desenvolvimento de projetos futuros.








