O mercado brasileiro de veículos usados ultrapassou 10,8 milhões de unidades comercializadas neste ano, alta de 7,7% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Fenauto. Ao mesmo tempo, o financiamento enfrenta juros elevados, maior seletividade das instituições financeiras e aumento da inadimplência.
A taxa de inadimplência das pessoas físicas chegou a 7,8% em julho deste ano, ante 7,4% em junho, conforme dados divulgados pelo Banco Central. O cenário reduz o espaço para a concessão indiscriminada de crédito, mas também pode excluir consumidores que têm capacidade de pagamento e não se encaixam nos modelos tradicionais de análise.
Análise além do histórico bancário
No mercado de usados, o público é heterogêneo. Trabalhadores autônomos, empreendedores e prestadores de serviço podem ter renda e capacidade de pagamento sem que essas informações apareçam nos formatos normalmente considerados pelos sistemas financeiros.
Por isso, a avaliação pode levar em conta a atividade profissional, a finalidade do veículo, o contexto do consumidor e sua capacidade efetiva de pagamento. Para motoristas de aplicativo, pequenos empreendedores e outros autônomos, o carro ou a moto pode ser uma ferramenta de trabalho e geração de renda.
A operação também não termina com a concessão. O financiamento envolve o acompanhamento do contrato e a cobrança. Em caso de descumprimento, pode incluir a localização, a retomada e a recuperação do veículo.
A combinação entre demanda aquecida e crédito mais restrito aumenta a necessidade de análises capazes de distinguir a falta de histórico financeiro do risco efetivo. A estratégia busca ampliar o acesso de forma sustentável, sem deixar de considerar as condições de cada consumidor e do veículo financiado.








