SÃO PAULO — A Justiça autorizou o sequestro de até R$ 56 milhões em bens, direitos e valores ligados a empresas investigadas por suspeita de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. A medida inclui recursos em instituições financeiras, investimentos, uma aeronave avaliada em aproximadamente R$ 8 milhões, seis veículos de luxo e um imóvel.
A Operação Circuito dos Metais foi deflagrada nessa quinta-feira (10/9) pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária (DOT). Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo.
A investigação aponta que o grupo teria usado holdings, empresas de locação de veículos, lojas de roupas femininas e outras pessoas jurídicas para movimentar recursos, ocultar a titularidade de bens e dificultar a identificação dos beneficiários finais. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), a estrutura também teria dado aparência de legalidade a valores ligados à suposta fraude fiscal.
Rede empresarial e notas fiscais
As suspeitas começaram após uma autuação fiscal envolvendo um CNPJ de fachada registrado em São Paulo. A empresa teria recebido notas fiscais emitidas por uma empresa fictícia do Distrito Federal. Os investigadores encontraram vínculos entre sócios, endereços, telefones, e-mails e movimentações financeiras.
Também foram identificadas empresas sem empregados registrados e com estruturas aparentemente incompatíveis com o volume de dinheiro movimentado. A polícia apontou ainda transferências milionárias entre pessoas físicas e jurídicas relacionadas ao grupo.
A empresa fictícia do Distrito Federal teria sido aberta em julho de 2020. Menos de 20 dias depois, entre 6 e 24 de agosto daquele ano, emitiu 49 notas fiscais que somaram mais de R$ 7 milhões. Apesar disso, não possuía conta bancária. O responsável formal não apresentou movimentações financeiras com a destinatária das notas ou com os demais investigados. Depois, a empresa foi cancelada por inexistência de fato.
A empresa de fachada registrada em São Paulo teria recebido R$ 100 milhões e repassado R$ 107 milhões entre 1º de julho de 2020 e 1º de julho de 2024.
Para a PCDF, o bloqueio busca preservar o patrimônio relacionado aos fatos investigados, permitir eventual ressarcimento aos cofres públicos e viabilizar a recuperação de ativos. A operação teve apoio das polícias civis de Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e São Paulo.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Segundo a investigação, as penas somadas podem chegar a 23 anos de prisão.








