O petróleo acumulou alta de 77% no ano e o barril superou os 109 dólares. A escalada dos conflitos no Oriente Médio aumentou a preocupação dos mercados com a oferta global de energia e com possíveis efeitos sobre a inflação e os juros em diferentes economias.
Beny Fard, analista macro e sócio da Segundo Minuto, afirmou que o Brent vinha oscilando entre 80 e 90 dólares antes de setembro. Na avaliação dele, a retomada das hostilidades entre os Houthis, parte do governo do Iêmen, e a Arábia Saudita elevou o risco para as rotas de transporte do petróleo.
A passagem de Bab al-Mandeb, no Mar Vermelho, está entre os pontos ameaçados. Fard disse que a Arábia Saudita produz cerca de 10 milhões de barris por dia. Desse total, aproximadamente 5 milhões eram transportados pelo Estreito de Hormuz, no Golfo Pérsico, enquanto os outros 5 milhões seguiam pela rota do Mediterrâneo, passando por Bab al-Mandeb. Para o analista, “Essa obstrução causa um choque de oferta”.
A Agência Internacional de Energia projeta alguma normalização da oferta somente para 2027. Fard avaliou que o efeito inflacionário provocado pela redução da disponibilidade de petróleo deve continuar até o fim deste ano e ao longo de 2026.
Efeitos no Brasil
O analista apontou diferenças entre as perspectivas de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Enquanto o cenário norte-americano indicava probabilidade elevada de aumento dos juros pelo Fed, as projeções brasileiras apontavam para uma redução na chamada superquarta.
O boletim Focus já mostrava queda na previsão de inflação, mas o índice permanecia acima do teto da meta de 4,5%. Fard também alertou para o impacto do petróleo sobre o diesel no Brasil. Segundo ele, a dependência do agronegócio e o uso do combustível na infraestrutura agrícola podem levar o aumento de custos por toda a cadeia de valor.
A Petrobras já vinha anunciando elevações graduais no preço do diesel. O fim de uma medida provisória que subsidiava os combustíveis foi apontado como uma dificuldade adicional.
Pressão da Rússia
Os ataques ucranianos contra estruturas de refino russas também pressionam o abastecimento. A Rússia é o terceiro maior produtor mundial, com cerca de 9,8 milhões de barris por dia, e suas refinarias têm papel relevante no fornecimento global.
A Agência Internacional de Energia prevê queda de demanda de aproximadamente 2,5 milhões de barris por dia em 2026, em um impacto comparável ao registrado durante a pandemia. Para Fard, esse cenário tende a provocar pressão maior sobre os preços.









