O Flamengo divulgou uma nota nesta sexta-feira (25/9) contra a possibilidade de o governo federal editar uma medida provisória para proibir as apostas esportivas, conhecidas como bets, no Brasil. O clube afirmou que a mudança no marco regulatório pode afetar o esporte e comprometer a segurança jurídica.
Na avaliação do Flamengo, empresas e instituições assumiram compromissos, fizeram investimentos e passaram a seguir regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor depois da regulamentação do setor. Para o clube, eventuais problemas devem ser enfrentados com ajustes nas normas, e não com a desmontagem do modelo existente.
“Isso é uma questão de segurança jurídica”, afirmou o Flamengo no comunicado. O clube também disse que a possível proibição atingiria o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos.
A nota sustenta que o impacto não ficaria restrito aos clubes. O Flamengo citou empregos diretos e indiretos, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas e prestadores de serviços como parte da cadeia econômica relacionada ao mercado de apostas.
O clube também apontou possíveis efeitos sobre a arrecadação pública. Segundo a manifestação, o mercado regulado gera impostos e recursos previstos em lei, destinados aos cofres públicos e a áreas de interesse da sociedade.
Mercado ilegal
O Flamengo argumentou que a proibição das empresas que operam legalmente não acabaria com as apostas. Na avaliação do clube, o mercado clandestino ocuparia esse espaço e reduziria a capacidade de fiscalização e responsabilização.
A nota cita pesquisa do Instituto Locomotiva realizada em maio de 2026, em todo o país, com 2.291 apostadores. Um estudo da LCA Consultores baseado nesse levantamento estima que entre 38% e 44% do valor apostado online no Brasil ocorra em plataformas clandestinas.
O documento afirma ainda que a participação estimada do mercado ilegal caiu após a regulamentação: de uma faixa entre 41% e 51% em 2025 para entre 38% e 44% no primeiro semestre de 2026.
Ao final, o Flamengo defendeu o combate ao jogo ilegal e a proteção da população, mas afirmou que o esporte brasileiro precisa preservar a segurança jurídica, a capacidade de investimento e a sustentabilidade das instituições esportivas.








