A China pediu ao Irã que use sua influência sobre os hutis para conter a escalada militar no Mar Vermelho, depois de um apelo da Arábia Saudita. O grupo, apoiado por Teerã, avançou por áreas estratégicas no oeste do Iêmen, na costa do Mar Vermelho e no Estreito de Bab el-Mandeb.
Três fontes iranianas disseram que Riad procurou Pequim por temer impactos sobre as exportações sauditas de petróleo e sobre a navegação comercial. Em contatos privados, o governo chinês teria solicitado ao Irã que ajudasse a impedir a expansão do conflito pelas rotas de energia usadas por sua economia.
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que “A China não deseja ver as tensões regionais se espalharem ainda mais para o Iêmen e o Mar Vermelho”. A pasta também declarou que “a soberania e a segurança de todos os países devem ser respeitadas”.
As fontes afirmaram que Teerã respondeu que a estabilidade regional depende do fim da guerra travada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. A China é o maior parceiro comercial iraniano e o principal comprador de seu petróleo. Em 2025, adquiriu mais de 80% das exportações iranianas por via marítima, cerca de 1,4 milhão de barris por dia, segundo a Kpler.
Ataques e pressão sobre as rotas
Na segunda-feira, 14, os hutis lançaram dezenas de mísseis e drones contra a Base Aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait, no sul da Arábia Saudita. Treze civis ficaram feridos, segundo a coalizão saudita.
Desde então, as forças aéreas sauditas e do governo iemenita reconhecido internacionalmente intensificaram os bombardeios contra posições hutis no Iêmen. O avanço do grupo ampliou a pressão sobre Riad, que passou a depender mais de rotas alternativas para transportar sua produção enquanto o Estreito de Ormuz permanece afetado pelo conflito.
Na semana passada, a Arábia Saudita interrompeu a operação do oleoduto Leste-Oeste, de 1. 200 quilômetros, após ataques atribuídos pelo governo a milícias apoiadas pelo Irã no Iraque. Uma paralisação prolongada poderia afetar até 4% da oferta mundial de petróleo. O Brent chegou a cerca de 108 dólares por barril.








