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Crise no Supremo interfere na eleição e amplia desconfiança entre eleitores
Foto: Legenda da foto, Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do STF
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Crise no Supremo interfere na eleição e amplia desconfiança entre eleitores

Disputas entre ministros e decisões sobre a campanha tiraram propostas do centro do debate e podem elevar a abstenção.

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ocupar o centro da eleição, com decisões conflitantes, disputas entre ministros e investigações relacionadas ao Banco Master. O cenário reduziu o espaço para propostas dos candidatos e aumentou a desconfiança dos eleitores em relação ao Judiciário.

Na semana anterior ao primeiro turno, André Mendonça determinou a remoção de publicações que associavam Flávio Bolsonaro (PL) a um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Flávio Dino suspendeu a medida, mas Luiz Fux restabeleceu as restrições. Depois, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a proibição da associação, embora tenha suavizado parte das determinações iniciais.

As decisões também alteraram a organização de um debate presidencial, que acabou cancelado. Uma determinação proibiu a exibição de uma cadeira vazia para representar Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não participaria do encontro. Outra decisão determinou a inclusão de Renan Santos (Missão).

Propostas ficaram em segundo plano

Marco Antonio Teixeira, cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirmou que a crise do Banco Master e do Supremo tirou o foco da agenda eleitoral. Segundo ele, as campanhas ficaram mais reativas a novidades e revelações do que voltadas à apresentação de propostas.

Uma pesquisa Quaest divulgada no início de setembro mostrou que 45% dos eleitores consideravam as propostas o principal critério para escolher o voto. Ainda assim, poucas propostas foram discutidas entre os presidenciáveis. Para Teixeira, a ausência de Lula e Flávio nos debates contribuiu para o esvaziamento da discussão.

O professor também avaliou que a indefinição pode aumentar as abstenções. No primeiro turno de 2022, 32 milhões de pessoas não votaram, número 60% maior do que em 2002, quando cerca de 20 milhões deixaram de comparecer. Christian Lynch, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), disse que a abstenção pode superar a de 2022.

A desconfiança em relação ao Supremo também atingiu o maior nível entre as instituições avaliadas em uma pesquisa Datafolha: 48% dos eleitores disseram não confiar na Corte. O índice foi de 45% para o Congresso e os partidos políticos, 42% para a Presidência, 33% para a imprensa, 23% para grandes empresas brasileiras e 25% para as Forças Armadas.

Investigações sobre o Banco Master

As suspeitas envolvendo o Banco Master incluem relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades. Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado e voltou à prisão no início de março. Parte das investigações passou por Dias Toffoli e André Mendonça e agora está sob a relatoria de Edson Fachin.

Toffoli deixou a relatoria e declarou-se suspeito após surgirem informações sobre mensagens, pagamentos e negócios ligados à Maridt Participações, empresa familiar da qual é sócio. Também passaram a ser analisadas possíveis relações entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.

Mensagens enviadas por Flávio Bolsonaro a Vorcaro também vieram a público. O senador teria pedido recursos para o filme Dark Horse, sobre a história de seu pai. O repasse acertado teria chegado a US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época, dos quais R$ 61 milhões teriam sido liberados entre fevereiro e maio de 2025.

A Polícia Federal investiga se o dinheiro foi usado para financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e articulações por punições ao Brasil. A pedido de Mendonça, Flávio é investigado por lavagem de dinheiro, corrupção e outros possíveis crimes relacionados ao financiamento do filme.

Para Fernando Neisser, professor de Direito Eleitoral da FGV/SP, decisões judiciais já afetaram eleições anteriores. Ele citou a verticalização das coligações, aprovada pelo TSE em 2002, e o conflito entre Ricardo Lewandowski e Luiz Fux sobre uma entrevista de Lula em 2018.

Neisser avaliou que a diferença atual é a crise de confiança inédita no Supremo e a exposição pública das opiniões políticas dos ministros. Para ele, o resultado da eleição de 2026 poderá definir o caminho da crise, com possibilidade de avanço de investigações internas ou de busca por diálogo entre os integrantes da Corte.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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