SÃO PAULO — As eleições para os governos estaduais chegam ao primeiro turno, neste domingo (04/10), com disputas acirradas, mudanças de alianças e efeitos sobre a corrida presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Os cenários mais competitivos estão em Pernambuco, Ceará, Bahia, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Amapá.
Em Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) tenta a reeleição contra João Campos (PSB). No Datafolha divulgado em 2 de outubro, a governadora tinha 50% dos votos válidos, contra 47% de Campos, em empate técnico. A disputa contrasta com 2022, quando cinco candidaturas competitivas chegaram ao primeiro turno.
Raquel tem melhor desempenho entre eleitores de direita, evangélicos e homens. Campos lidera entre mulheres e setores da esquerda. Os dois tentam associar suas campanhas, de formas diferentes, ao governo Lula, aprovado por 59% dos pernambucanos, segundo pesquisa AtlasIntel divulgada em setembro.
No Ceará, Elmano de Freitas (PT) e Ciro Gomes (PSDB) aparecem tecnicamente empatados. Na pesquisa AtlasIntel/Focus de 30 de setembro, Elmano tinha 50,3% dos votos válidos, contra 48,9% de Ciro. Uma vitória do candidato do PSDB poderia romper o grupo político que está no poder desde a primeira eleição de Cid Gomes, em 2006. Ciro integra uma aliança com União Brasil, PP e PL, mas tenta limitar esse acordo ao cenário estadual.
A Bahia também reedita a disputa de 2022 entre Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União Brasil). As pesquisas mais recentes mostram resultados divergentes: a AtlasIntel/A TARDE, de 3 de outubro, apontou 51,5% para Jerônimo e 47,4% para Neto; a Paraná Pesquisas registrou 50,3% para Neto e 48,4% para o governador. Em jogo está a possibilidade de o PT alcançar o sexto mandato consecutivo no estado.
No Paraná, Sergio Moro (PL) lidera a corrida, à frente de Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT). A eventual derrota de Sandro representaria uma ruptura para o grupo do governador Ratinho Júnior (PSD), que está no poder desde 2010. Na pesquisa Real Time Big Data de 2 de outubro, Moro tinha 40% dos votos válidos, Sandro 32% e Requião 26%.
Rio, São Paulo e Minas Gerais
No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), apoiado por Lula, lidera com 47% dos votos válidos, contra 35% de Douglas Ruas (PL), respaldado por Flávio Bolsonaro, segundo o Datafolha de 2 de outubro. A situação de Anthony Garotinho (Republicanos) pode alterar o resultado: o Tribunal Superior Eleitoral determinou que seus votos sejam considerados nulos, mas ele ainda recorre. Garotinho tinha 8% na pesquisa mais recente.
Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece com vantagem para ser reeleito, enquanto Fernando Haddad (PT), candidato de Lula, enfrenta dificuldades para avançar. O Datafolha de 2 de outubro apontou aprovação de 62% para o governo Tarcísio e rejeição de 45% a Haddad, contra 29% ao candidato do Republicanos. Na região metropolitana, Tarcísio tinha 43% das intenções de voto, e Haddad, 40%.
Em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera com 49% dos votos válidos, contra 20% de Patrus Ananias (PT) e 5% de Mateus Simões (PSD), segundo o Datafolha de 2 de outubro. Na disputa presidencial, Lula aparecia com 45% no estado, contra 38% de Flávio Bolsonaro.
Distrito Federal e Amapá
No Distrito Federal, Celina Leão (PP) tinha 53% dos votos válidos, contra 26% de Leandro Grass (PT) e 10% de Paula Belmonte (PSDB), na pesquisa Datafolha de 1º de outubro. A campanha da governadora é afetada pelas investigações sobre o Banco de Brasília (BRB). Segundo a Polícia Federal, o banco transferiu R$ 17 bilhões ao Banco Master, dos quais R$ 12,2 bilhões corresponderiam a títulos falsos.
No Amapá, Dr. Furlan (PSD) lidera contra o governador Clécio Luís (União Brasil), apoiado por Davi Alcolumbre. A Real Time Big Data de 30 de setembro apontou 61% para Furlan e 39% para Clécio. A Paraná Pesquisas, de 28 de setembro, registrou 59,2% e 39,7%, respectivamente.
A disputa é vista como um teste para a força política de Alcolumbre no estado. Furlan é apoiado por Flávio Bolsonaro, enquanto Clécio está no campo de aliados de Lula. Os dois defendem a exploração de petróleo na Margem Equatorial, tema que aproxima os principais grupos políticos amapaenses.








