Flávio Bolsonaro negou que tenha apresentado ou apoiado um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O senador afirmou que a informação é falsa e acusou o PT de explorar o episódio eleitoralmente.
A controvérsia começou após um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes no programa Em Pauta. Ao falar sobre o eleitorado religioso, ela mencionou um suposto movimento para alterar a condição de Nossa Senhora Aparecida como padroeira. O trecho se espalhou nas redes sociais com a interpretação de que a iniciativa teria relação com Flávio, embora isso não tenha sido dito na transmissão.
A GloboNews se retratou na madrugada de 25/9 e informou que o projeto citado havia sido apresentado em 2007 e arquivado em 2008. “Nós pedimos desculpas pelo erro”, disse a apresentadora Marcelly Setúbal.
Proposta foi arquivada
O PL 2.623 foi apresentado em dezembro de 2007 pelo então deputado Professor Victório Galli, do PMDB de Mato Grosso. A proposta alterava a Lei nº 6.802, de 1980, para substituir “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
O projeto foi rejeitado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados em julho de 2008 e arquivado definitivamente em 22 de agosto daquele ano. A Câmara já havia esclarecido, em 2018, que a proposta não estava mais em tramitação.
A repercussão ocorreu durante a disputa presidencial entre Lula e Flávio. Em 25/9, o agregador de pesquisas apontava Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% de Flávio. No segundo turno, o senador aparecia com 46%, e o presidente, com 45%.
Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira indicava Lula à frente entre católicos, com 45%, contra 33% para Flávio. Entre evangélicos, o senador tinha 47%, e Lula, 27%.
Origem do título
Nossa Senhora Aparecida foi proclamada Padroeira do Brasil pelo papa Pio 11 em 1930. A imagem, encontrada no rio Paraíba do Sul em 1717, representa Nossa Senhora da Conceição.
O dia 12 de outubro passou a ser celebrado como data da padroeira a partir de 1953. Em 1980, tornou-se feriado nacional pela Lei nº 6.802, sancionada em 30 de junho pelo então presidente João Figueiredo.
A Igreja Católica afirmou que não indica candidatos ou partidos. Bispos e arcebispos também defenderam a soberania nacional, o compromisso com a população mais pobre e o respeito à democracia.









