A 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas começa nesta terça-feira, em Nova York, com a presença de mais de 120 líderes mundiais. Os debates de alto nível seguem até a próxima segunda-feira, 28, na sede da organização.
A programação reúne 71 chefes de Estado, 45 chefes de governo e 11 vice-presidentes, além de 50 ministros e um príncipe herdeiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará o discurso de abertura, como prevê a tradição. Depois, estão programadas as falas de Donald Trump, dos Estados Unidos; Abdullah II, da Jordânia; e Recep Tayyip Erdogan, da Turquia.
Também foram confirmadas as participações de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel; Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia; Masoud Pezeshkian, presidente do Irã; e Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela.
Agenda diplomática
Além dos discursos, estão previstas 1.553 reuniões bilaterais entre integrantes das delegações. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também terá encontros ao longo da semana. Uma das reuniões acompanhadas durante o evento será entre Donald Trump e Delcy Rodríguez, menos de um ano após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, detido em Nova York desde janeiro.
O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, participará por videoconferência. Os Estados Unidos negaram o visto pedido pelo líder palestino para entrar no país.
A sede da ONU terá pelo menos 166 eventos paralelos, com autoridades, diplomatas e representantes da sociedade civil. Entre os assuntos previstos estão o conflito no Oriente Médio, a guerra entre Rússia e Ucrânia e os efeitos do avanço da inteligência artificial.
Tradição brasileira
Lula será o primeiro chefe de Estado a discursar por causa de uma prática incorporada ao protocolo da ONU. Desde 1955, o representante brasileiro abre os debates e é seguido pelo representante dos Estados Unidos, país-sede da organização.
A explicação mais aceita é que, nos primeiros anos da entidade, poucos países queriam iniciar os discursos. O Brasil se ofereceu repetidamente para ocupar essa posição. Historiadores e diplomatas também relacionam o costume ao contexto da Guerra Fria, quando a escolha ajudava a evitar o protagonismo inicial de Estados Unidos ou União Soviética.
Outra hipótese associa a tradição ao prestígio do diplomata brasileiro Oswaldo Aranha, que presidiu uma sessão histórica da Assembleia Geral em 1947, e à imagem do Brasil como país conciliador e defensor do multilateralismo.








