A crise climática ocupa espaço limitado nos planos de governo dos candidatos à Presidência mais bem posicionados nas pesquisas, segundo análise do Observatório do Clima. Dos seis programas avaliados, apenas o de Luiz Inácio Lula da Silva foi considerado robusto pela organização.
O levantamento examinou os documentos de Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, todos com mais de 1% das intenções de voto. Foram analisados 28 temas, distribuídos por oito eixos, incluindo mudanças climáticas, energia, desmatamento, agricultura sustentável, mineração, governança ambiental e oceano.
O programa de Lula teve 16 compromissos positivos e detalhados. É o único que menciona o cumprimento da meta climática brasileira, conhecida como NDC, e o Acordo de Paris. O texto propõe ações de adaptação, fortalecimento da Defesa Civil, segurança hídrica e prevenção de desastres. Também prevê zerar o desmatamento líquido até 2030 e reduzir entre 59% e 67% as emissões líquidas até 2035.
A análise, porém, aponta contradições na política energética, já que o programa combina defesa de fontes renováveis com estímulo à produção de petróleo e gás. O Observatório também menciona lacunas em oceanos, zonas costeiras, justiça climática e racismo ambiental.
O plano de Flávio Bolsonaro inclui medidas ambientais, mas não trata da crise climática, da NDC ou do Acordo de Paris. Também não define metas de corte de emissões nem políticas de adaptação. A proposta prevê ampliar a infraestrutura de petróleo e gás, liberar o fraturamento hidráulico e zerar o desmatamento ilegal até 2029.
Augusto Cury reconhece as mudanças climáticas e propõe prevenção de enchentes, infraestrutura resiliente e seguro rural. O programa estabelece a meta de uma matriz energética 90% limpa até 2040, mas não define uma trajetória para reduzir combustíveis fósseis.
Renan Santos não apresenta metas climáticas, políticas de adaptação ou estratégia contra o desmatamento. O plano inclui expansão da mineração e exploração mineral em terras indígenas, sem salvaguardas consideradas suficientes pelo Observatório.
Ronaldo Caiado reconhece os efeitos de secas, enchentes e ondas de calor, mas não fixa metas de emissões nem cita a NDC ou o Acordo de Paris. Romeu Zema propõe investimentos privados em prevenção e resposta a desastres, mas, segundo a análise, não detalha a implementação e prioriza a flexibilização do licenciamento ambiental.
Para o Observatório do Clima, a agenda ambiental recebeu atenção inferior à necessária. A organização informou que encaminhou as análises às coordenações das seis campanhas e se colocou à disposição para contribuir com o aprimoramento das propostas.








