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Governo discute crédito de até R$ 20 bilhões para clubes após fim das bets
Política

Governo discute crédito de até R$ 20 bilhões para clubes após fim das bets

Proposta prevê reestruturação de dívidas, prazo de até 20 anos e dois anos de carência, mas ainda não foi formalizada.

O Ministério da Fazenda acelerou as negociações para criar uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões para clubes de futebol e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), após a proibição das bets na sexta-feira, 25. O programa ainda está em discussão e não foi formalizado.

A proposta, chamada de Programa Nacional de Reestruturação Financeira do Futebol Profissional, não prevê perdão de dívidas. Os clubes poderiam substituir débitos mais caros e de curto prazo por financiamentos com prazo de até 20 anos e dois anos de carência antes do início dos pagamentos.

Entre os passivos que poderiam ser incluídos estão dívidas trabalhistas, débitos com a Receita Federal, o INSS e o FGTS, além de empréstimos bancários. Os recursos não poderiam ser usados para salários correntes, contratação de jogadores ou despesas rotineiras.

O risco das operações ficaria com as instituições financeiras responsáveis pelo crédito, e não diretamente com a União. Caso um clube use o dinheiro fora das regras ou deixe de pagar o financiamento, a dívida poderá vencer antecipadamente, com possibilidade de exclusão do programa.

Negociações e impacto financeiro

Uma reunião sobre a proposta reuniu dirigentes de clubes, incluindo representantes do Internacional e do Corinthians, e integrantes do governo. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) participa das articulações, mas não conduz diretamente o programa.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) afirmou que não participou das discussões e informou ter vedação estatutária para financiar clubes. “não procede a informação de que o BNDES irá operar um linha subsidiada para esse público”, disse o banco em comunicado.

O fim das bets abriu um buraco de mais de R$ 1 bilhão por ano no orçamento do futebol brasileiro. Levantamento da Sports Value aponta que as casas de apostas pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do país em 2025. O valor representou 34% da receita de marketing desse grupo e ficou 85% acima dos R$ 618 milhões registrados em 2024.

O Flamengo recebeu R$ 269 milhões por ano, maior valor entre os clubes citados. O Corinthians ficou com R$ 150 milhões, enquanto o São Paulo recebeu R$ 113 milhões. No clube paulista, as bets respondiam por 73% da receita de patrocínios.

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, estimou uma perda de cerca de R$ 2,5 bilhões em receitas no próximo ano. Os contratos de naming rights do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil estão vinculados à Betano e ficaram sob risco após a proibição.

Ainda não há garantia de que o crédito de R$ 20 bilhões seja aprovado no formato discutido. Se sair, a medida não eliminaria as dívidas: os clubes continuariam responsáveis pelo pagamento integral, mas com uma estrutura de financiamento mais longa e barata.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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