A tentativa de aproximar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, não saiu do papel. O encontro havia sido articulado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, mas Rodrigues não compareceu na semana prevista e saiu de férias.
A conversa foi discutida em uma reunião realizada no início de agosto, com a participação de Messias, Mendonça e do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. Na ocasião, os três concordaram com uma conversa direta entre o ministro do STF e o chefe da Polícia Federal.
A articulação ocorreu em meio a um pedido feito por Rodrigues no fim de julho. O diretor-geral solicitou que a Advocacia-Geral da União recorresse das decisões de Mendonça relacionadas à operação Sem Desconto, que investiga o caso envolvendo aposentadorias e pensões do INSS.
Entre as medidas está a restrição para que policiais ligados à investigação compartilhem informações sigilosas com o comandante da corporação. Messias decidiu não atuar no processo. A avaliação é que uma iniciativa judicial da AGU poderia ser usada por advogados de investigados para tentar anular a apuração, sob a alegação de interferência indevida da Polícia Federal.
Conflito entre as instituições
A tentativa de mediação perdeu força depois que 27 superintendentes regionais da Polícia Federal divulgaram uma nota em defesa de Rodrigues. O documento afirmou que a atuação da corporação “não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais”.
Luiz Inácio Lula da Silva também orientou Rodrigues a procurar Mendonça. Conforme pessoas envolvidas na tentativa de aproximação, o diretor-geral não atendeu aos apelos e se afastou no período em que o encontro deveria ocorrer.
Rodrigues afirma a interlocutores que cumpriu sua parte ao pedir a intervenção da AGU e que continua aguardando uma manifestação oficial de Messias. Mendonça interpretou o pedido como uma tentativa de afastá-lo da relatoria dos inquéritos relacionados ao INSS e ao caso Master.
A tensão aumentou após um relatório apresentado pelo ministro Alexandre de Moraes, que apontou possíveis crimes de responsabilidade de Mendonça nos inquéritos sob sua relatoria. Também vieram a público mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro dirigidas a Moraes, nas quais ele pediu proteção ao chefe da Polícia Federal.








