BRASÍLIA — A crise entre Alexandre de Moraes e André Mendonça no Supremo Tribunal Federal continua sem sinal de recuo. Os dois ministros mantêm posições firmes em meio a acusações cruzadas e a tentativas de acordo que não avançaram nos bastidores da Corte.
Mendonça levantou o sigilo de mensagens enviadas por Daniel Vocaro a Moraes. A Polícia Federal não identificou qual teria sido a resposta do ministro. Nas mensagens, Vocaro fazia consultas sobre como fugir do país e escapar de investigações da PF e da Procuradoria-Geral da República, que já apuravam condutas do banqueiro, dono do Banco Master.
Acusações entre os ministros
Moraes citou um relatório de inteligência da Polícia Federal, que a própria instituição afirma não ter valor probatório, para acusar Mendonça, no inquérito das fake news, de crime de responsabilidade e improbidade administrativa.
A acusação afirma que Mendonça teria atuado no direcionamento de investigações contra um grupo político. Moraes comparou prazos de decisões em processos envolvendo Cláudio Castro, Ciro Nogueira e Jaques Wagner, do Partido dos Trabalhadores, e apontou supostas discrepâncias.
O presidente do STF, Edson Fachin, reuniu os fatos na mesma petição, assumiu a responsabilidade pelo caso, pediu manifestações de todas as partes e estabeleceu um prazo para os envolvidos se pronunciarem. A medida deu a Fachin tempo para avaliar os próximos passos.
Tentativas de saída
Uma das soluções discutidas era encerrar o inquérito das fake news e retirar Mendonça da relatoria do caso do Banco Master. Integrantes do STF próximos de Moraes avaliam que Mendonça perdeu as condições de relatar o processo. Já os aliados de Mendonça defendem que Moraes também não teria condições de continuar no caso diante dos indícios levantados pela PF.
A proposta, que buscava enfraquecer os dois ministros sem adotar medidas mais drásticas, não teve apoio de nenhum dos lados. Mendonça liberou para julgamento o caso de Moraes, enquanto o ministro sinalizou que não pretende abrir mão do inquérito das fake news.
A crise cresce a cada dia, e as negociações para uma saída não encontram respaldo na maioria do Supremo, afirmou o analista de política Matheus Teixeira. Ministros consultados em Brasília não souberam dizer como o impasse vai terminar.







