A depressão com características atípicas pode passar despercebida porque a pessoa nem sempre demonstra tristeza constante, isolamento ou falta de interesse. Mesmo com o quadro presente, ela pode se divertir, reagir a uma boa notícia e apresentar momentos de entusiasmo.
Essa apresentação pode incluir sono excessivo, aumento do apetite, sensação de peso nos braços ou nas pernas — chamada de “paralisia de chumbo” — e maior sensibilidade à rejeição nas relações. A melhora do humor diante de acontecimentos positivos é conhecida como reatividade do humor e pode ser temporária.
Diferenças entre as apresentações
Na depressão melancólica, o humor tende a continuar deprimido mesmo em situações agradáveis. A perda da capacidade de sentir prazer costuma ser acentuada, e também podem ocorrer redução do apetite, despertar precoce e lentificação dos movimentos e do pensamento.
A depressão melancólica representa aproximadamente 25% a 30% dos episódios depressivos em contextos clínicos especializados, com maior presença em quadros de maior gravidade, pacientes hospitalizados e populações de meia-idade e idosas.
A professora Ângela Scippa, da Faculdade de Medicina da Bahia, afirma que pessoas com depressão podem apresentar sintomas bastante diferentes. Durante o Congress on Brain, Behavior and Emotions 2026, realizado em junho, em Porto Alegre (RS), ela apresentou um painel sobre a importância de diferenciar as apresentações típicas e atípicas.
Quando buscar avaliação
Dormir demais pode ser associado ao cansaço; comer mais, ao estresse ou à ansiedade; e a sensação de peso no corpo, à indisposição. Isoladamente, esses sinais não determinam um diagnóstico. A atenção aumenta quando eles persistem, aparecem junto de outras alterações ou começam a interferir no trabalho, nos estudos, nas relações, no autocuidado ou na rotina.
A sensibilidade à rejeição também pode causar sofrimento intenso após críticas, afastamentos ou situações interpretadas dessa forma. Por isso, a avaliação deve considerar o conjunto dos sintomas, sua duração, intensidade e impacto na vida da pessoa.
O diagnóstico da depressão é clínico, feito a partir da história do paciente, da anamnese e do exame do estado mental. Não há exames de sangue ou de neuroimagem que determinem, por si só, se uma pessoa tem depressão.
A caracterização dos sintomas ajuda o psiquiatra a definir a abordagem terapêutica. Em depressões moderadas a graves, pode haver indicação de antidepressivos. A escolha considera o diagnóstico, a gravidade, as condições de saúde associadas e o histórico do paciente, além de características como insônia ou hipersonia, aumento ou redução do apetite, idade e outras doenças presentes.








