SÃO PAULO — A Polícia Civil de São Paulo avalia indiciar quatro pessoas por homicídio com dolo eventual após o desabamento de um prédio em construção na Penha, zona leste da capital paulista. Seis pessoas morreram no último final de semana.
Três sócios da construtora New Home, responsável pela obra, são alvo de mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça. Um deles foi preso no domingo (13/9), enquanto os outros dois continuam foragidos. Também pode ser indiciada a servidora Viviane Rodrigues de Palma, que assinou um documento afirmando que a estrutura havia sido demolida em 2024.
Viviane foi ouvida nesta terça-feira (15/9). Coordenadora de Planejamento e Desenvolvimento Urbano da Subprefeitura da Penha, ela foi afastada das atividades por 120 dias depois do desabamento. A delegada Deidiene Fialho informou que as declarações da servidora serão comparadas com processos administrativos e judiciais.
A investigação aponta que a obra avançava sem alvará. Em 2019, a Prefeitura de São Paulo autuou e interditou o local. Os trabalhos continuaram, e, em 2021, a Procuradoria-Geral do Município entrou com uma ação para tentar interromper a construção.
A prefeitura havia condicionado a autorização de uma nova edificação à demolição da estrutura existente no terreno. Segundo a delegada, a construção continuou sobre uma fundação considerada inadequada, embora a servidora tenha atestado que a edificação anterior havia sido demolida.
A polícia também informou que Viviane declarou ter vistoriado a obra em 2024, durante a análise da autorização do alvará. No projeto apresentado pela New Home, constava uma edificação de 154 metros de altura. “Ela tinha que constatar que essa edificação de 154 metros tinha sido demolida”, disse Deidiene Fialho.
Apartamentos não entregues
Mais de 10 pessoas procuraram a Polícia Civil para relatar possíveis estelionatos atribuídos aos donos da construtora. De acordo com a delegada, compradores pagaram valores iniciais e financiamentos para receber os imóveis em dois anos, mas não tiveram as unidades entregues nem os valores devolvidos.
Quatro inquéritos foram abertos no 10º Distrito Policial (Penha). Ronaldo Vivacqua, apontado como sócio oculto da New Home e pai de Cristiano Vivacqua, foi preso temporariamente no domingo (13/9). Cristiano, responsável técnico pela obra, e Ísis Brandão, proprietária formal da empresa, seguem foragidos.
Na segunda (14/9), a Controladoria Geral do Município de São Paulo determinou o embargo de todas as obras da New Home e da Hastiforme, outra construtora em nome de Cristiano, que estejam em andamento no município. Pedidos de alvará ainda em análise também serão suspensos.
O prédio desabou sobre uma casa na Rua Tequici por volta das 2h desse sábado (12/9). Além das seis mortes, um homem de cerca de 30 anos e uma criança de 7 anos foram resgatados com vida e encaminhados para atendimento médico. A polícia analisa documentos, alvarás, permissões e outras provas para verificar se o desabamento poderia ter sido evitado e identificar eventuais responsáveis.






