SÃO PAULO — A servidora Viviane Rodrigues de Palma é investigada em um inquérito administrativo da Prefeitura de São Paulo por eventual enriquecimento ilícito. Ela assinou o documento que atestava a demolição do prédio que desabou na Penha, na zona leste da cidade, e matou seis pessoas.
A apuração começou com uma sindicância patrimonial em 2020 e virou inquérito em maio de 2025, instaurado pela Corregedoria Geral do Município (CGM). O procedimento também apura eventuais atos de improbidade administrativa e permanece sob sigilo.
Segundo a CGM, Viviane foi interrogada, apresentou manifestação por meio da defesa e o processo continua em andamento. Em 2022, ela havia sido suspensa por 15 dias do cargo na Coordenadoria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano da Subprefeitura Penha. Após o desabamento, foi afastada das atividades por 120 dias.
Em outubro de 2025, a defesa foi intimada a se manifestar sobre a suspeita de inconsistência patrimonial. A CGM informou que não comenta o mérito das alegações por causa do sigilo do processo.
Investigação policial
A Polícia Civil de São Paulo informou, em coletiva na terça-feira (15/9), que quatro pessoas podem ser indiciadas por homicídio com dolo eventual. Entre elas está Viviane, ouvida pela polícia no mesmo dia.
Os outros três possíveis indiciados são sócios da construtora responsável pela obra. Ronaldo Vivacqua, apontado como sócio oculto da New Home, foi preso temporariamente no domingo (13/9). Cristiano Vivacqua, filho dele e responsável técnico pela construção, e Ísis Brandão, proprietária formal da empresa, seguem foragidos.
A delegada Deidiene Fialho afirmou que o desabamento resultou de uma sequência de eventos. Em 2019, a prefeitura identificou que a obra avançava sem alvará, autuou e interditou o local. Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município entrou na Justiça para tentar interromper os trabalhos.
A autorização para uma nova edificação ficou condicionada à demolição da estrutura existente. Conforme a polícia, Viviane vistoriou a obra em 2024. No projeto apresentado pela New Home, a edificação tinha 154 metros de altura. A delegada disse que a servidora atestou a demolição mesmo diante de uma construção já com seis ou sete andares.
O prédio caiu sobre uma casa na Rua Tequici, por volta das 2h de sábado (12/9). Além das seis mortes, um homem de cerca de 30 anos e uma criança de 7 anos foram resgatados com vida e levados para atendimento médico.






