A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) atualizou as recomendações para o tratamento do diabetes tipo 2. A nova diretriz mantém a metformina como principal opção inicial e reforça o uso combinado de medicamentos quando necessário para controlar a glicose e outros fatores de risco.
A orientação considera que mudanças no estilo de vida e o uso isolado da metformina nem sempre são suficientes. Por isso, o documento orienta os profissionais a avaliar a associação entre diferentes classes de remédios, de acordo com as características e as necessidades de cada paciente.
Metformina continua na base do tratamento
Usada pelos médicos há pelo menos 60 anos, a metformina é um comprimido diário que reduz a resistência à insulina, situação em que o açúcar deixa de ser aproveitado adequadamente pelo organismo e permanece na circulação.
O medicamento segue como fármaco de entrada para o diabetes tipo 2. Estudos de longa data sustentam seu uso no controle da glicose, inclusive em pessoas com doenças cardiovasculares. A critério médico, também pode ser indicada para conter o pré-diabetes e evitar sua evolução para a doença.
A SBD ressalta que o tratamento deve incluir atividade física, alimentação ajustada e mudanças de hábitos. Essas medidas precisam ser mantidas mesmo quando há prescrição de medicamentos.
Combinações conforme os riscos
A diretriz organiza as possibilidades em combinações duplas, triplas e até quádruplas. A escolha leva em conta o controle glicêmico e a presença de condições como doença cardiovascular, doença renal ou problemas no fígado.
“E a diretriz organiza o tratamento em combinações: duplas, triplas e até quádruplas, a depender da necessidade do paciente”, afirma o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da USP de Ribeirão Preto.
Em pessoas com diabetes e obesidade, uma possibilidade é combinar metformina com análogos de GLP-1, como as canetas de Ozempic e Mounjaro e o comprimido Rybelsus. Para quem tem glicose desequilibrada e gordura no fígado, a diretriz cita associações que envolvem a semaglutida, apontada como o único tratamento medicamentoso aprovado para esteatose hepática no país.
Nos casos de doença renal crônica, a metformina pode ser associada a um inibidor de SGLT2. Esse tipo de comprimido aumenta a eliminação de açúcar pela urina e pode ser combinado também com um análogo de GLP-1.
A definição do tratamento deve considerar contraindicações, reações adversas e efeitos esperados ou inesperados. A metformina, por exemplo, pode reduzir a vitamina B12 e levar à necessidade de suplementação.
Para a SBD, médico e paciente também precisam estabelecer estratégias que favoreçam a adesão ao tratamento, incluindo o uso correto dos remédios e a adoção das mudanças de hábito recomendadas.








