O whey protein simples pode ser usado por mulheres que amamentam, desde que exista necessidade e o consumo seja acompanhado por um nutricionista. A principal preocupação envolve bebês com suspeita ou diagnóstico de alergia à proteína do leite de vaca (APLV).
O suplemento é uma fonte concentrada de proteínas do soro do leite de vaca. Depois de ingerido, ele é digerido e transformado em aminoácidos e pequenos fragmentos, que podem ser usados pelo organismo na produção das proteínas do leite materno. O produto não chega inteiro ao leite.
Atenção à composição
A fórmula varia entre as marcas. Além da proteína, alguns produtos têm aromatizantes, adoçantes, açúcares, gorduras, cafeína, creatina, vitaminas, minerais, ervas e outros ingredientes. Quanto maior a quantidade de componentes, mais itens precisam ser avaliados individualmente durante a amamentação.
Fragmentos das proteínas do leite de vaca podem passar de forma mais direta para o leite materno e afetar crianças alérgicas. Por isso, a escolha do produto deve considerar sua procedência e composição. Suplementos à base de proteínas vegetais podem ser uma alternativa para evitar riscos relacionados às alergias.
Ana Maria Melo, pediatra do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, afirma que o whey pode complementar a ingestão de proteína quando a mulher não consegue atingir suas necessidades apenas com a alimentação. “Mas desde que com acompanhamento profissional especializado de um nutricionista”, alerta.
Alimentação deve ser prioridade
O uso sem necessidade ou orientação é apontado como o principal problema. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que 0,8 gramas de proteína por quilo de peso corporal atendem às necessidades. Essa quantidade equivale, aproximadamente, a 180 gramas de peito de frango por dia para um adulto médio.
Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares mostram que, mesmo entre os 20% mais pobres da população brasileira, apenas 3% têm ingestão abaixo desse nível. Para a mãe que voltou a treinar, a recomendação é priorizar alimentação equilibrada e hidratação adequada. Uma avaliação individualizada deve indicar se há espaço para o suplemento.
Uma revisão sistemática do Grupo Cochrane de Gravidez e Parto, ligado à OMS, analisou 17 ensaios clínicos randomizados com 9,3 mil mulheres grávidas. Entre as participantes que receberam suplementos equilibrados de carboidratos e proteínas, houve redução de 40% no risco de morte de bebês e de 21% no risco de o bebê ser pequeno para a idade gestacional. O peso ao nascer aumentou, em média, 41 gramas.
Já a suplementação com teor elevado de proteína teve resultado diferente. Em um estudo com 505 mulheres, esse tipo de produto foi associado a um aumento de 58% no risco de o bebê nascer pequeno. A conclusão foi que corrigir uma ingestão inadequada pode ajudar, mas aumentar a quantidade sem orientação não garante benefícios e pode trazer riscos ainda desconhecidos.








