SÃO PAULO — O Nubank lançou o Nu Global, uma conta internacional baseada em stablecoins. Os depósitos são convertidos em stablecoins de dólar ou de euro, com rendimento automático de juros. Os clientes também podem usar esses ativos com cartões virtuais em qualquer lugar do mundo e enviar saldos instantaneamente para dezenas de países, com taxas de câmbio competitivas e sem outras tarifas.
A análise é de John Delaney, cofundador e CEO da Crown. Para ele, as stablecoins vêm se tornando uma infraestrutura central para produtos financeiros internacionais porque podem reduzir tarifas, recusas em transações com cartão e o tempo de transferências entre países, além de oferecer rendimentos maiores do que os depósitos tradicionais.
A McKinsey estima que os gastos em cartões vinculados a stablecoins chegaram a US$ 4,5 bilhões em 2025, alta de 673% em relação a 2024.
Redes abertas e fechadas
Delaney compara as blockchains abertas e globais à internet. As stablecoins seriam versões digitais de dinheiro que circulam nessas redes. Já os recursos em uma conta bancária tradicional ficam dentro da rede de um banco ou de estruturas que conectam instituições entre si. O Pix é descrito como uma grande rede que integra os bancos do Brasil.
Na avaliação dele, transferências internacionais dependem de pontes construídas entre redes fechadas, como relações de bancos correspondentes, contas nostro e vostro ou acordos bilaterais. Em cada etapa, uma transação pode ser recusada, atrasada ou ter o preço alterado.
O Pix, afirma Delaney, é barato e instantâneo, mas sua rede não permite que um comerciante em Jacarta receba diretamente um Pix de um cliente brasileiro, porque o banco indonésio não consegue se conectar ao sistema.
Para o executivo, os produtos financeiros mais rápidos e baratos estão sendo construídos com stablecoins. Ele vê uma migração da infraestrutura financeira de redes fechadas para redes abertas, semelhante à transformação ocorrida nas comunicações.
A avaliação é que as finanças onchain ainda são liquidadas principalmente em dólares. Para que essa infraestrutura seja global, seria necessário oferecer stablecoins denominadas em diferentes moedas fiduciárias, permitindo que cada pessoa entre na rede aberta usando a própria moeda.








